“Me expresso melhor em inglês porque meus traumas foram vividos em português.”

Muitas pessoas bilíngues encontram na língua estrangeira um lugar onde conseguem comunicar melhor as demandas e desconfortos.

“I don't like the way you're talking to me. I want you to be gentler and more caring.”

“Eu não gosto do jeito que você está falando comigo / eu gostaria que você fosse mais gentil e atencioso(a)”

O que, na maioria das vezes, está relacionado ao fato de os primeiros afetos desse indivíduo terem sido experienciados em sua língua materna. Portanto, quando a necessidade de comunicar um sentimento aparece, o que vem de carona é justamente aquela vivência ansiógena.

Se, por um lado, o recurso bilíngue facilita a “conversa profunda”, por outro, no processo terapêutico, o distanciamento afetivo pode acabar atrasando o desenvolvimento do caso.

Na terapia, é aquilo que afeta que determinará a direção do tratamento. Por isso, é importante que o paciente tenha a oportunidade de se expressar sem que a famosa “barreira linguística” funcione exatamente como o nome já diz: impedindo a passagem de conteúdos afetivos que seriam importantes para o trabalho terapêutico.